A origem e a evolução das WCAG
A necessidade de tornar a internet acessível para todos surgiu desde seus primeiros dias. Em 1997, o World Wide Web Consortium (W3C) criou a Iniciativa de Acessibilidade na Web (WAI) para liderar essa causa, e, dois anos depois, lançou a primeira versão das Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 1.0. Essa versão inicial apresentava 14 diretrizes focadas em garantir que pessoas com deficiência pudessem acessar e navegar pela web, mesmo com as limitações tecnológicas da época. Embora pioneira, essa versão lidava com um ambiente digital muito mais simples e menos interativo do que conhecemos hoje.
Com o rápido avanço da web e o surgimento de novas tecnologias, tornou-se claro que uma atualização era necessária. Em 2008, a WCAG 2.0 foi publicada, trazendo um documento muito mais extenso e detalhado. Essa versão introduziu os quatro princípios fundamentais que orientam a acessibilidade até hoje: perceptível, operável, compreensível e robusto. Além disso, a WCAG 2.0 foi adotada como norma ISO — a ISO/IEC 40500 —, o que a transformou em uma referência global, sendo amplamente adotada por governos e empresas que buscavam aderência aos padrões de acessibilidade globais.
Em 2018, chegou a WCAG 2.1, que foi uma expansão da versão anterior. Essa atualização adicionou novas diretrizes focadas em dispositivos móveis, interfaces táteis e a acessibilidade para pessoas com deficiências cognitivas. Com o aumento do uso de smartphones e tablets, essa versão foi de extrema importância para que a acessibilidade digital acompanhasse as mudanças nos padrões de consumo de tecnologia.
No final de 2023, a WCAG 2.2 foi publicada e tornou-se a recomendação oficial do W3C. Esta versão trouxe melhorias significativas para usuários que dependem da navegação por teclado e reforçou diretrizes voltadas para pessoas com deficiências cognitivas e motoras. A WCAG 2.2 é agora a versão mais atual e, provavelmente, será a última atualização da linha WCAG 2, preparando o terreno para a chegada da tão esperada WCAG 3.0, que promete transformar ainda mais o cenário da acessibilidade digital.
Qual a versão atual e como ter acesso a todas as mudanças divulgadas
A WCAG 2.2, publicada no final de 2023, trouxe uma série de melhorias focadas em tornar a web mais acessível para todos, mas com melhorias pensadas especificamente em três grupos: pessoas com deficiências cognitivas, pessoas com baixa visão e usuários que utilizam dispositivos móveis. O curioso sobre essa versão mais recente é que embora ela tenha introduzido novos critérios, a conformidade com a versão 2.2 garante que sites e plataformas que já seguem as diretrizes da WCAG 2.1 também estejam em conformidade com a WCAG 2.2, facilitando assim a transição e a conformidade com as novas exigências.
Entre os principais critérios adicionados pela WCAG 2.2, destacam-se:
- Foco Não obscurecido (Nível AA e AAA): quando um elemento recebe foco, ele deve permanecer visível e não pode ser oculto por outros conteúdos da interface.
- Aparência do Foco (Nível AAA): indicadores de foco devem ter contraste de cores suficiente e ser grandes o suficiente para serem claramente visíveis.
- Movimentos de Arrasto (Nível AA): deve ser oferecida uma alternativa para qualquer funcionalidade que dependa de movimentos de arrasto, como o uso de cliques ou toques.
- Tamanho do Alvo (Nível AA): todos os alvos interativos, como botões e links, devem ter pelo menos 24×24 pixels, para facilitar a interação.
- Ajuda Consistente (Nível A): qualquer recurso de ajuda disponibilizado no site deve ser encontrado de forma consistente no mesmo local durante a navegação.
- Entrada Redundante (Nível A): informações já inseridas por um usuário em um processo, como em um formulário, devem ser recuperadas para evitar que o usuário precise inseri-las novamente.
- Autenticação Acessível (Níveis AA e AAA): os processos de autenticação devem oferecer alternativas que não dependam exclusivamente de memorização ou escrita correta, como o uso de gerenciadores de senhas ou preenchimento automático.
O que esperar da WCAG 3.0?
A WCAG 3.0, atualmente em fase de rascunho (working draft), está sendo desenvolvida pela Silver Task Force com a proposta de uma transformação significativa em relação às versões anteriores. Essa nova versão busca ampliar o alcance das diretrizes, mantendo a sigla WCAG, mas alterando seu significado para W3C Accessibility Guidelines, refletindo assim a intenção de cobrir uma gama mais ampla de aspectos além do conteúdo web.
Entre as principais mudanças esperadas, destacam-se:
- Diretrizes mais acessíveis: as novas regras serão escritas em uma linguagem simples e direta, facilitando o entendimento por pessoas que não são especialistas em tecnologia.
- Foco nas necessidades dos usuários: a WCAG 3.0 será orientada para atender às necessidades dos usuários, em vez de focar em tecnologias específicas, o que permitirá que as diretrizes sejam aplicáveis a diferentes tipos de plataformas, como ePubs, PDFs e aplicativos móveis.
- Nova estrutura de conformidade: os níveis “A, AA e AAA” serão substituídos pelos níveis Bronze, Prata e Ouro, proporcionando mais flexibilidade e granularidade na forma como as diretrizes serão implementadas.
- Análise de conformidade mais ampla: diferentemente das versões anteriores, que analisavam conformidade página por página, a WCAG 3.0 permitirá que a acessibilidade seja avaliada em sites e aplicativos como um todo.
- Requisitos para conteúdo de terceiros: novas diretrizes específicas serão criadas para lidar com a acessibilidade de conteúdo incorporado de terceiros.
- Pontuação e métricas: testes e verificações, como amostragem e pontuação, farão parte do processo de avaliação de conformidade, tornando o processo mais objetivo e abrangente.
Como a EqualWeb oferece conformidade com as WCAG?