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  • Capacitismo: o que é e como combatê-lo no ambiente de trabalho

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    Capacitismo: você já ouviu falar nesse termo ou sabe o que é?

    De forma resumida, o capacitismo é uma forma de discriminação em que se subestima a capacidade ou aptidão de uma pessoa com deficiência.

    Na nossa sociedade, atitudes capacitistas são estruturais e estão enraizadas nas práticas cotidianas e, muitas vezes, nem são percebidas.

    Você já usou frases ou termos como: “Nossa, ela faz isso tudo, mesmo sendo deficiente”; “Você está cego?”; “Vai se fazer de surdo?”; ou “Meu chefe é bipolar”?

    Já viu alguém considerar uma pessoa com deficiência ser incapaz de trabalhar ou ser independente?

    Ou até mesmo o contrário: já observou alguém supervalorizar uma pessoa só por ela ter uma deficiência, transformando a pessoa quase em um super-herói ou um ET?

    Pois bem. Todas essas situações descrevem formas de capacitismo. Desde olhar estranho na rua para uma pessoa com deficiência, usar frases pejorativas, ficar surpreso pela pessoa realizar alguma atividade, ou até mesmo não contratar pessoas com deficiência para a sua empresa por falta de um ambiente adaptado ou por receio dela não ser capaz ou não estar apta a realizar suas funções.

    O capacitismo pode se manifestar de diversas formas, especialmente no ambiente de trabalho, e neste blog vamos falar sobre isso com mais detalhes.

    Capacitismo no mercado de trabalho

    O capacitismo no ambiente corporativo é sentido por muitas pessoas que estão inseridas nesse meio ou que estão tentando uma colocação em alguma empresa.

    Para se ter uma ideia, 7 em cada 10 brasileiros com deficiência acreditam que as organizações têm preconceito em contratá-las. E daquelas pessoas que já atuam em companhias, mais de 69% já presenciaram ou viveram algum tipo de discriminação no ambiente de trabalho (pesquisa de 2020 do Ministério Público do Trabalho).

    Mas os dados, na verdade, são muito mais alarmantes. Hoje, no Brasil, apenas 440 mil pessoas com deficiência ocupam postos de trabalho formais e só 0,6% deles fazem parte do alto escalão das organizações. Um número irrisório num universo de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, que representam 24% da nossa população.

    Esse cenário por si só já é bastante capacistista. Mas quando paramos para pensar nos motivos, aí vemos como o preconceito e a discriminação estão presentes na cultura de grande parte das empresas brasileiras.

    Ambientes de trabalho não são adaptados para PCDs

    Um exemplo é a falta de ambientes adaptados. Vemos uma série de edifícios sem rampas ou elevadores, sem banheiros adaptados e portas de entrada que dificultam o acesso.

    Não vislumbrar essas questões também representa capacitismo, uma vez que o estabelecimento pensou apenas em uma única experiência corporal (considerada “normal”) para a construção do ambiente.

    Faltam locais de trabalho verdadeiramente inclusivos e acessíveis. E quando falamos nisso, não nos referimos apenas à parte estrutural, mas também ao digital.

    Ter conteúdos, sites e documentos acessíveis são essenciais para a integração do profissional na empresa e para garantir sua autonomia e independência na execução das tarefas. Afinal, o mundo de hoje é digital e a maioria das atividades são realizadas na web.

    Contratação de pessoas com deficiência ainda é uma barreira nas empresas

    Mas além da adaptação do ambiente de trabalho, outro exemplo de capacistismo é a dificuldade que pessoas com deficiência encontram para serem contratados ou crescerem dentro de uma organização.

    Muitas vezes, a pessoa com deficiência é vista como incapaz de realizar determinadas atividades. Há discriminação desde a seleção para o emprego até a sua adequação e promoção. E isso viola completamente a legislação vigente no Brasil.

    Hoje, temos o Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei Nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que considera discriminação toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas.

    Outro avanço nesse sentido é a Lei de Cotas, que visa garantir a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A Lei estabelece uma porcentagem mínima de contratação de PCDs em empresas com mais de 100 funcionários. Mas como vimos anteriormente, apenas 1% faz parte do mercado formal de trabalho.

    Atitudes e expressões que configuram capacitismo precisam ser eliminadas

    Outra maneira de vermos o capacitismo na nossa vida e no ambiente corporativo é através de atitudes e expressões discriminatórias e preconceituosas, como:

    • Retardado, sequelado ou mongol;
    • Surdo-mudo;
    • “Meu chefe é bipolar.”
    • “Estava cego de raiva.”
    • “Ele deu uma de João sem braço.”
    • “Você está surdo?
    • “Agindo assim parece um autista.”

    Mas além das expressões, algumas situações do cotidiano também podem ser consideradas capacitistas, como ficar surpreso ao ver uma pessoa com deficiência sendo promovida, cuidando dos filhos e se formando em uma pós-graduação. Ou quando você resolve ter a atitude de parabenizar uma pessoa com deficiência dizendo que o trabalho dela foi “surpreendente” ou que ela representa um caso de “superação”.

    Como construir um ambiente anticapacitista dentro da empresa

    A informação é a melhor forma de barrar o capacitismo. Falar sobre o assunto, pesquisar sobre o tema e acompanhar conteúdos de pessoas com deficiência – como influenciadores – é uma ótima maneira de não repetir atitudes e expressões estereotipadas que são ofensivas para a comunidade.

    Dentro das organizações, é fundamental debater e divulgar o assunto, dando mais visibilidade e centralidade sobre o tema. Pode ser através de workshops, palestras, dinâmicas, vídeos ou conteúdos informativos. Educar a equipe sobre a importância da inclusão e da diversidade é um passo importante para a mudança de pensamento e postura.

    Mas nada é mais importante do que a representatividade, ou seja, ter pessoas com deficiência ocupando esses espaços e sendo vistas, principalmente em cargos de liderança. Sendo assim, além de educar o time, contrate profissionais PCDs, ofereça as condições para que eles se tornem líderes e permita que eles cresçam profissionalmente.

    Esse processo é essencial para ajudar a romper o pensamento de desvalorização e subestimação das capacidades dos profissionais com deficiência. Conviver com PCDs e ouvir suas experiências é a melhor forma de se colocar em seu lugar e desenvolver empatia.

    E a sua empresa? Já é uma aliada na luta anticapacitista?

    Tornar o seu site e seu conteúdo online acessível para pessoas com deficiência é uma forma de se tornar aliado do anticapacistismo. Com a EqualWeb, instalamos até 31 recursos de acessibilidade digital no seu website, dando autonomia e liberdade para mais de 45 milhões de brasileiros. Quer saber mais? Fale com nossos especialistas!


A EqualWeb é uma das soluções líderes globais em acessibilidade digital. Há 6 anos, vem tornando sites e conteúdos digitais acessíveis para pessoas que possuem alguma necessidade especial.

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