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  • CEO da EqualWeb Brasil, Andrea Schwarz, participa de evento da UNISUAM sobre acessibilidade, inclusão e autonomia

    No dia 5 de outubro, aconteceu um bate papo 100% online no Youtube da UNISUAM com Andrea Schwarz, CEO da EqualWeb Brasil e Arapuan Motta Netto, CEO da UNISUAM sobre Acessibilidade, Inclusão e Autonomia na Educação. A UNISUAM agora é uma instituição que conta com todos os seus ambientes digitais acessíveis após a implantação da ferramenta de acessibilidade digital da EqualWeb.

    Abaixo, você pode conferir live completa e saber mais sobre a EqualWeb, sobre a história da Andrea como cadeirante há 22 anos e sobre a importância de criar um mercado de trabalho mais inclusivo e diverso e com maiores oportunidades a todos.

     

    Separamos alguns trechos abaixo do bate papo entre os dois:

    Arapuan Motta Netto: Estamos aqui com a Andrea Schwarz, nossa grande convidada da noite. Andrea, eu quero te dizer que é um orgulho muito grande te receber aqui. A gente tem conversado muito sobre a questão da diversidade de uma maneira geral e a gente tem buscado cada vez mais conectar pontos e pessoas importantes com o que a gente vem fazendo, para que a gente possa gerar um significado maior para as pessoas que acompanham a gente e, logicamente, para nossos alunos. A gente sabe o poder que a educação tem e o problema que no Brasil a gente vive com a falta de acesso à educação. E, mais do que isso. Uma vez essa galera toda empoderada, educada e formada, como é que a gente pode impactar o próximo cada vez mais e aí sim transformar essa sociedade. Eu gostaria te chamar para você se apresentar e falar um pouquinho quem é Andrea Schwarz, e a gente vai conduzindo esse bate papo daqui para frente.

    É sempre uma oportunidade falar sobre inclusão e diversidade, porque, realmente, como a gente conviveu pouco, parece que essas questões são questões insolucionáveis. E quando a gente pensa que a chave da inclusão é informação, a gente começa a entender quem somos nós nesse processo. Em 1998, lá atrás, eu fiquei na cadeira de rodas. Eu adquiri uma nova condição em função de uma doença que eu tive. Literalmente, eu fiquei na cadeira de rodas do dia para a noite, e eu fui entendendo um pouco como era viver num país completamente inacessível. Porque como eu não me vejo ocupando diversos espaços da sociedade, e isso tem muito a ver com a questão da invisibilidade. Eu não me vejo na liderança das empresas, não me vejo na mídia, na publicidade, na moda, no turismo. Não me vejo representada em vários espaços, porque realmente falta muita informação.

    Essas questões são estruturais da gente. Então, quando eu me vi deficiente para mim também era tudo muito novo. Eu conhecia muito pouco sobre as pessoas com deficiência. Não tinha ninguém na minha família que tinha tido deficiência e, de repente, eu me vejo num país completamente inacessível, tendo uma nova condição e não conseguindo ir até a esquina sozinha, com minha cadeira de rodas. Para quem não me conhece eu moro em São Paulo. É uma capital potente, mas que também cresceu pouco acessível, como se essas pessoas realmente não existissem, muitas vezes, institucionalizando a deficiência. Então, eu fiquei na cadeira de rodas numa época que a deficiência estava totalmente institucionalizada, pouco se falava sobre esse assunto. Eu que tinha me adequar ao meio. É que eu fiquei na cadeira de rodas quando eu já tinha me formado da faculdade, mas quando eu fui buscar fazer uma pós, depois que eu adquiri minha deficiência, eu recebi um não para a minha matrícula. Porque imagina 1999. Depois de um ano que eu tinha ficado na cadeira, foi buscar uma pós na minha área e não consegui fazer, porque o local era inacessível, Então, era mais fácil excluir do que a instituição se adequar a nova necessidade da Andrea. Então, eu comecei a me aprofundar e me apaixonar pelo assunto, porque isso tinha acontecido na minha vida. Comecei a entender que esses assuntos, eles eram transversais à minha história de vida e que a Andrea continuava sendo a mesma. Mas a sociedade, de alguma forma, passou a me enxergar muito diferente. É como se eu tivesse sentado aqui e a minha vida tivesse acabado na cabeça da sociedade. Eu costumo falar que a cadeira de rodas, ela não foi um ponto final da minha história. Ela foi uma vírgula.

    A cadeira de rodas fez parte da minha jornada. Ela fez parte do que eu sou hoje. Se eu sou uma Andrea melhor, eu não sei, mas, certamente eu sou uma Andrea diferente, mais consciente do meu papel e mais empática também. Mas eu acho que a gente tem uma grande oportunidade, agora, no momento que a gente vive, porque lá atrás você não faz ideia de como foi difícil eu chegar até aqui, de quantos nãos que eu fui recebendo da sociedade: “aqui você não pode aqui você não entra, esse lugar não é para você”, Em função da minha deficiência. E eu costumo falar que eu fui a rebelde da manada. Eu não aceitei a caixinha PCD que a sociedade me colocava e me coloca. Só que isso tem um preço. É um preço, muitas vezes, alto de ser excluída de um grupo por acreditar e ir atrás das coisas que eu queria, porque o meu lugar é onde eu quiser estar, e não onde a sociedade acha que eu tenho que estar.

     

    Arapuan Motta Netto: E o D1? Você acordou deficiente. O que veio na sua cabeça naquele momento?

    Eu estava na praia com meu namorado, que é a uma hora da capital, que se chama Santos, em São Paulo. Eu fui tentar no meio da noite levantar para ir ao banheiro, e já não conseguia mais. Então, por isso que eu falo que foi do dia para a noite. E tem momentos da nossa vida, que quando acontecem adversidades com a gente, a gente não entende o porquê. E é por isso que eu falo quando perguntam como é que foi que eu fiquei na cadeira de rodas e o que que aconteceu, que foi o destino mesmo.

    Eu sou uma pessoa ilimitada. Eu tenho potenciais. Claro que eu tenho limitações e a cadeira de rodas não é a única. Eu tenho muitas outras. Esse é um segredo que eu conto nas minhas lives. Mas eu também tenho muita potência. Então, o D1 eu acho que foi um momento de entender. Mas eu lembro do D30. Porque eu acho que eu fui entendendo que não ia voltar a andar nesses trinta dias que eu fiquei no hospital. E eu lembro que no trigésimo, eu fui apresentada para a cadeira de rodas, e eu olhei para ela, ela olhou para mim, e eu falei: cara, a gente vai ser feliz. Sabe aquele olhar 43? Desde o momento, eu olhei para ela e falei: “bora viver né?” Porque realmente é isso. Ela não era um pouco final na minha história. E eu era muito jovem e eu tinha uma vida inteira pela frente.

    Eu acho que a deficiência me trouxe o poder dar da adaptabilidade. Isso é algo que é único, né? Só que a gente tem que encontrar essa força. Porque enquanto a sociedade achar que a única diferença que a Andrea tem com relação as pessoas que andam é a minha deficiência, está muito enganado. Eu sou uma mulher. Sou mãe do Guilherme e do Leonardo, sou esposa do Jaques, filha da Evelyn, empreendedora social, palestrante… São tantas características e também sou um pessoa com deficiência. Agora o que não dá é para a minha deficiência sempre chegar na frente. Eu ser rotulada como se eu fosse um produto pela minha deficiência e quando a gente rotula, a gente cria um estereótipo. E com esses estereótipos, vêm os julgamentos. E quando a gente faz isso, a gente limita.

     

    Arapuan Motta Netto: Eu queria, então, que você falasse sobre tecnologia com um propósito. A UNISUAM está junto com você hoje usando a EqualWeb. Eu queria que você falasse um pouquinho dessa ferramenta e o que é uma tecnologia com um propósito.

    Quando eu abri a minha empresa há alguns anos atrás, eu nem sabia que eu era uma empreendedora social. Nem sabia que eu tinha feito uma empresa que tinha impacto social. E a tecnologia com proposta é isso. É uma tecnologia que traz impacto e que tem a possibilidade de mudar a vida de muita gente. Então, quando a gente pensa o que é essa ferramenta que a gente trouxe para o Brasil recentemente e que vocês aderiram é dar acesso a informação para todos através de sites da web. Para quem não sabe, são poucos os sites que são acessíveis para as pessoas, por exemplo, com deficiência visual. A gente tem aí um indicador que somente 1% dos sites conversam com pessoas que têm algum tipo de dificuldade de acessar a web, deixando um monte de gente de fora.

    Quando a gente não tem inclusão, a gente está dizendo quem acessa ou não certo na web certas informações, e a tecnologia com proposta é isso. Quando a gente impacta a vida das pessoas de uma forma que vai melhorar, por exemplo, no caso da EqualWeb, o acesso à informação. E quando a gente vê que tem 60 milhões de pessoas no Brasil com alguma dificuldade de acessar a web, a gente vê o quanto a gente está excluindo e o quanto a gente realmente não se preocupa. Então, eu acho que, instituições de ensino, alô, as pessoas com deficiência, que têm alguma dificuldade para acessar a web, elas existem e elas consomem. Por isso que eu falo que a gente faz parte de um grupo minorizado. Não é porque somos poucas pessoas. Se você for pensar nas pessoas com deficiência no país, a gente está falando de 24% da população. É muita gente, mas porque que a gente fala de grupo de minoridade? Porque, de alguma forma, os nossos direitos são diminuídos com relação aos demais. Então, se eu não consigo consumir na web, se eu não consigo acessar uma certa informação, porque eu tenho, vamos supor, uma deficiência visual.

    Eu gosto de exemplificar como se a vida fosse uma corrida e aí tem a largada e a chegada. Então, hoje, a chegada, quem chega lá, na corrida chamada vida, não necessariamente foi por mérito, mas foi porque largou na frente de pessoas que ou largaram muito depois ou que ainda nem largaram. E as tecnologias assistivas realmente trazem uma inovação e um impacto social gigantesco, como é o caso da EqualWeb, uma ferramenta com propósito, que você instala dentro do ambiente da web um plug-in com alto impacto e com baixo custo. A tecnologia trouxe essa velocidade e realmente inclui de uma forma muito boa e vai causar um impacto na vida dessas pessoas. Eu penso: Ah, se a gente pudesse construir rampas como a gente coloca uma ferramenta dessa na web acessível, como seria mais fácil né?

     

    Arapuan Motta Netto: E é incrível. É uma ferramenta muito simples de ser implementada. Em coisa de segundos, você tá funcionando no site e impacto de que isso faz. O número de pessoas que a gente passa a atingir, que antes a gente não tinha essa condição. Quando eu recebi essa tecnologia, eu pensei: caramba, essa tecnologia para implantar vai ser um negócio complicado. Eu não preciso discutir se eu preciso ou não preciso disso. A EqualWeb vai ajudar a gente bastante.

    É isso que eu falo. A minha deficiência, a minha limitação, é muito visível. Então, quando eu entro nos lugares, eu sou muito julgada e rotulada em função da minha cadeira de rodas. Eu falo que até na sigla PCD o P de pessoa veem antes do D, mas sempre o D chega na frente. Então, essa é a proposta da ferramenta. Incluir o máximo de pessoas possíveis. Porque não existe só um tipo de corpo gente. Isso tem muito a ver com que eu falei no começo da live que eu me sinto pouco representada espaços que eu ocupo. Eu não vejo pessoas com deficiência na mídia, na publicidade. Porque é como se existisse só um padrão, e eu tenho parecer com aquele padrão.

    Eu me tornei Top Voice no LinkedIn falando sobre um assunto de diversidade e inclusão. Eu falo e conto a minha narrativa do quanto foi importante acreditar em mim. Eu não preciso eu parecer com ninguém para ser alguém. O post meu que mais viralizou foi o post de um salto alto, que eu adoro usar salto alto e eu coloquei lá: não sei porque as pessoas me perguntam porque eu uso salto, como se eu não pudesse. Só porque eu estou sentada? Depois eu fui refletir porque o salto alto é um símbolo de empoderamento feminino e quando as pessoas viram uma foto minha toda produzida de salto, as pessoas olham olham uma mulher, com deficiência e cadeirante de salto essas informações não se conversam na cabeça das pessoas. E quando eu falo que a gente é capacitista. O que é ser capacitista? Resumindo, é uma forma de prepotência ligada às pessoas com deficiência, onde eu super valorizo ou subestimo a pessoa em função da deficiência dela. Eu estou aqui no mundo para inspirar as pessoas em função da minha deficiência, para fazer com que as pessoas se mexam. O que tem que inspirar é a minha narrativa, a minha história, o que eu fiz com a minha deficiência. Eu dou muita palestra para empresa e quando eu dou pra alta a liderança eu falo que se engana quem acha que diversidade não é estratégico para o negócio. Tem tudo a ver com a inovação. Então, a gente tem que entender que a gente tem que falar sobre diversidade e inclusão que uma forma que contemple todo mundo. As empresas que não tiverem isso não sei se ela sobrevivem daqui para frente. Eu nunca perguntei para a Andrea seus meu sonhos eles eram possíveis, mas sim se eles eram suficientes. Diversidade é nossa maior riqueza, mas inclusão é nosso principal desafio. E inclusão é algo que traz um retorno intangível. É um ganha ganha para todos os lados.

     

    Arapuan Motta Netto: Escutar você falar aqui é realmente muito inspirador, porque como eu te falei lá no início, acho que a gente culturalmente tem um gap grande de conteúdo. Eu acho que as pessoas conhecem pouco da questão racial, da questão de gênero, a questão da deficiência, mas acho que tem uma questão importante também de convivência. As pessoas convivem pouco com as outras que vivem essas questões e sentem essas dores. Você acha que é importante a gente estar mais próximo?

    Então, eu acho que tem uma questão que a gente não sabe lidar de uma forma geral quando o assunto é a diversidade. Então, sempre me perguntam como é que eu chego numa pessoa com deficiência. Aí eu falo: bom, como é que você chama a pessoa? Pelo nome gente. É mais simples. Ou quando perguntam para mim: como é que você faz para tomar banho? Aí eu falo: olha, eu abro o chuveiro, deixo a água cair. Começo pelo xampu, vou ensaboando a minha cabeça. São questões que a gente tem que normalizar, porque se não vai ficar sempre apartado. Então acho que essa é a proposta das redes sociais. A nossa construção, a nossa comunicação pode estar muito pautada no preconceito ou na empatia. A gente escolhe como a gente vai se comunicar. Então, eu costumo falar que não deixa a primeira impressão ficar, dê a oportunidade para a segunda, para a terceira. Se a gente respira, e não age tão mecanicamente, a gente vai entender muito mais e vai perceber o quanto a nossa comunicação ainda exclui. Acho que a gente tem que sempre pensar se as nossas ações, elas estão construindo essas pontes que eu falo ou estão criando obstáculos. E eu aprendi com a minha deficiência que a gente tem que aprender a viver o aqui e o agora. Eu quero viver o hoje. A deficiência me trouxe essa percepção de entender que a gente tem que ser feliz e ser feliz só depende da gente. Você é responsável pela sua felicidade.

     

    Arapuan Motta Netto: A gente está indo para o final da nossa live. Estou muito feliz de estar mais próximo de você, de trocar mais ideia com você, de te conhecer um pouco mais. Foi o que eu falei no início. A gente está entrando numa fase de reconhecer cada vez mais esses erros, esses gaps, essas questões todas, para que a gente possa realmente evoluir com bases sólidas. Eu queria que você falasse e deixasse para a gente aqui uma fala final. Algum livro que você queira indicar, alguma série, alguma fala?

    Eu costumo falar a gente só vai ao mundo a gente mudar a nossa mente. Por isso que eu comecei a live falando “Obrigada pela oportunidade, oportunidade de falar, de contar a minha história, de contar sobre essa minha trajetória. Eu sempre falo que eu sou uma eterna sonhadora mesmo. Eu acredito que a gente vai viver num mundo onde a gente possa ser que a gente quem a gente é. Que a gente possa enxergar esse nosso papel e saber que isso só vai vir com informação. Não tem jeito. Então, eu espero de verdade, que a gente possa ter uma geração futura, que entenda o valor da diversidade, entenda que todo mundo pode ser quem é. Então, se você se incomoda ou ainda não percebeu, faz o teste do pescoço. Nos meios que eu ando, eu vejo pessoas com deficiência? E se eu não vejo, porque que elas não estão lá? Então, eu termino com uma provocação mesmo. Quem quiser continuar esse papo, estou superaberta do meu LinkedIn e no meu Instagram. Quanto mais a gente falar, mais a gente vai entender que essa vida é para todo mundo.


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